segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MERCADO QUÂNTICO = WHAT VALUE OF A PRICE?

ESTAMOS NO TOPO DO TOPO DA FLORESTA
E NO FUNDO DO TOPO NO POMAR
Por Rodrigo Constantino

"A maioria das pessoas assume como certa a necessidade de existência de um banco central na economia. Poucos questionam sobre as origens dos bancos centrais, ou como era antes de sua existência. O economista Murray Rothbard foi uma rara exceção, e seus estudos sobre o tema levaram ao livro The Case Against the Fed, no qual ele conclui que o banco central americano deveria ser simplesmente extinto. Em sua opinião, a própria criação do Federal Reserve foi o resultado de um poderoso cartel de bancos tentando se proteger de saques e objetivando manter a capacidade de expandir “indefinidamente” o crédito. Da simbiose entre governo e grandes banqueiros nasceria o poderoso instrumento de gerar inflação e redistribuir renda.

A própria definição correta de inflação não é aumento no nível de preços, mas sim na quantidade de moeda. O aumento nos preços dos bens é uma conseqüência da inflação, pois a maior oferta de moeda, ceteris paribus, leva a uma queda relativa no seu valor. O público não tem o poder de criar mais moeda. Somente o governo, através do banco central, tem este poder. Qualquer um que imprimir papel-moeda em casa é acusado do crime grave de falsificação. Todos entendem que isto, se feito em grande escala, faria com que os demais sofressem perda no valor de suas rendas. Além disso, não é difícil perceber que o falsificador transfere riqueza dos outros para ele mesmo, pois quando os efeitos da maior oferta de dinheiro forem sentidos, ele já se apropriou dos bens comprados.

A mesma lógica se aplica quando é o governo que cria mais moeda do nada. O resultado final é a transferência de riqueza para os primeiros beneficiados com os gastos financiados com o novo papel. Foi com isso em mente que Alan Greenspan escreveu em 1967, quando ainda não havia sido seduzido pelo poder, que o déficit do governo era simplesmente um esquema para o confisco escondido de riqueza. Logo, se a inflação crônica é causada pela contínua criação de mais moeda, e se apenas o banco central tem o poder para emitir moeda, quem é o responsável pela inflação? No entanto, todos aceitam sem muita reflexão que o banco central é o grande inimigo da inflação, o vigia que vai proteger a poupança de todos contra seus males. Para Rothbard, isso é análogo ao ladrão que começa a gritar “Pega, ladrão!” e corre apontando o dedo para os outros.

A origem da moeda não foi um contrato social ou um decreto arbitrário decidindo de cima para baixo qual seria a moeda aceita. Foi sempre uma escolha livre dos agentes de mercado, para facilitar as trocas. Várias commodities já foram escolhidas como moeda, mas o ouro sempre acabou prevalecendo onde era possível. Algumas características tornam o ouro peculiar, como seu valor intrínseco pela sua beleza, sua oferta limitada, sua portabilidade, sua divisibilidade, sua homogeneidade e sua elevada durabilidade. Tais qualidades sempre fizeram do ouro uma escolha natural do mercado, e também um inimigo implacável dos governos perdulários. Justamente por isso vários governos dificultaram o acesso ao ouro, impuseram um papel sem lastro como meio obrigatório de pagamentos e, em alguns casos, chegaram a transformar a posse do ouro em ato ilegal, como nos Estados Unidos em 1933. O déficit do governo fica bastante limitado sob o padrão-ouro, e por este motivo os defensores de mais governo sempre atacaram o metal. No fundo, eles lutam pelo direito do governo de gerar inflação, ainda que o discurso seja dissimulado.

A propaganda do governo foi tão eficaz que atualmente as pessoas consideram inconcebível uma fase prolongada que queda nos preços dos produtos. O governo incutiu com sucesso um verdadeiro pânico da palavra “deflação”, entendida pelos leigos como redução dos preços finais. Entretanto, desde o início da Revolução Industrial até o começo do século XX, os preços gerais apresentaram trajetória de queda, com a exceção de períodos de guerra, quando os governos inflaram a oferta de moeda. Mesmo hoje em dia é possível ver a redução constante nos preços de inúmeros produtos com avançada tecnologia, como computadores ou televisores, sem que isso represente uma depressão para o setor. Pelo contrário, o aumento da produtividade permite lucros maiores apesar da redução nos preços finais.

Na verdade, o governo não é o único agente capaz de criar inflação. Os bancos podem obter o mesmo resultado através do crédito intangível. Rothbard resgata da história duas funções distintas dos bancos em suas origens. A primeira delas era servir como um cofre para os depósitos de ouro e outros bens. Em outras palavras, um depósito de dinheiro, que emitia um recibo em troca, garantindo a entrega do bem quando demandado. Para este serviço de armazenagem era cobrada uma taxa. Esse era o caso do Banco de Amsterdam, por exemplo. A outra função era interligar poupadores e investidores, também cobrando uma taxa por isso. A mistura de ambas as funções, segundo Rothbard, não passou de uma fraude.

Qualquer armazém honesto que guarda um bem em troca de um recibo garante a segurança do bem. Se alguém depositar uma jóia valiosa no cofre, com certeza espera que ela esteja protegida e disponível para resgate a qualquer momento. Seria impensável imaginar que o dono do cofre emprestou a jóia para terceiros, cobrando juros. O objetivo era apenas proteger o bem. No entanto, a moeda sendo homogênea e sem carimbo pode ser facilmente utilizada pelo banco para novos empréstimos, pois nada garante que a sua moeda está guardada nas reservas bancárias. No caso de um banco com 100% de reservas sobre depósitos, de fato seu dinheiro está guardado no cofre. Mas quando se trata de reservas fracionárias, o banco está se alavancando em cima do seu dinheiro, e é falsa a afirmação de que seu depósito está disponível para saque a qualquer momento. Isso só funciona quando algumas poucas pessoas resolvem resgatar, pois quando muitos decidem sacar seus depósitos ao mesmo tempo, o banco não tem lastro para honrar sua dívida com os depositantes. Uma corrida bancária expõe automaticamente um fato ocultado pelos bancos: sua total falta de liquidez.

Os bancos desfrutam, portanto, do poder de multiplicação monetária através do crédito sem lastro. Nem sempre foi assim, como mostra Rothbard. O esquema de reservas fracionárias não passa de uma fraude, segundo o economista. Os bancos assumem o compromisso de pagar seus depósitos imediatamente, mas não são capazes de honrar este compromisso com todos os depositantes. Estariam insolventes. Isso seria ilegal com todos os outros bens, menos com o dinheiro. E quanto mais os bancos emprestam em cima de seus depósitos, maior o risco de uma repentina perda de confiança e uma corrida bancária. Por isso há o interesse em formar um cartel de bancos, firmando um acordo para cada um aceitar os recibos dos outros sem demandar os resgates possíveis. Se os bancos começam a demandar resgates desses recibos recebidos como forma de pagamento dos seus clientes, o sistema se mostra insolvente como um todo. O castelo de cartas desaba. (Final de 2007, grifo meu)

Juntando a fome do governo por recursos, com a vontade de comer dos bancos, a criação de um banco central é o próximo passo natural. Para o governo, o banco central representa uma boa solução para financiar seus gastos e déficits através do “imposto inflacionário”, e para os bancos ele serve para remover os limites da expansão de crédito. Atuando como o emprestador de última instância, o banco central pode ajudar a manter a confiança nos bancos insolventes. A história mostra que a origem dos principais bancos centrais realmente esteve ligada a estes interesses. O Bank of England, por exemplo, foi criado para ajudar a financiar o grande déficit do governo com as guerras. Nos Estados Unidos, os defensores de um banco central sempre foram os herdeiros intelectuais de Hamilton, membros dos partidos Whig e Republicano. Eram os mesmos que defendiam tarifas protecionistas e subsídios do governo para indústrias nacionais. Tinha que haver uma forma de financiar isso tudo.

O pânico de 1907 finalmente forneceu o pretexto conveniente para os defensores de um banco central. A propaganda por um banco central já vinha atuando desde 1896, mas encontrava sempre forte resistência. A crise gerou o momento adequado para convencer os demais. O que Rothbard mostra é que os grandes banqueiros, como Morgan e Rockfeller, estavam por trás desta demanda pela criação de um banco central. A crença de que os próprios banqueiros desejavam um regulador para limitar sua liberdade por puro altruísmo parece bastante ingênua. Seres humanos em geral não são chegados a um sacrifício pelo bem-geral, muito menos os banqueiros poderosos. Logo, podemos assumir que havia um total interesse por parte dos grandes bancos na existência de um banco central. Rothbard entende que a razão por trás disso era o desejo de preservar a capacidade de inflar moeda dos bancos.

Em 1913, os banqueiros e intervencionistas venceram a disputa e o Federal Reserve System foi criado, com o monopólio da emissão de moeda e a função de emprestador de última instância. O resultado: desde então, os Estados Unidos experimentaram períodos mais intensos de inflação, e depressões mais profundas do que antes. A crise atual nada mais é do que uma conseqüência desse modelo. Alan Greenspan, que fora um ferrenho defensor do padrão-ouro e que compreendia os enormes riscos inflacionários do Fed, acabou se tornando um dos principais responsáveis pela inundação de liquidez que permitiu o surgimento da bolha que agora estourou. E atualmente, Ben Bernanke assumiu o controle do poderoso “templo”, disposto a esticar ainda mais os limites do Fed para salvar os bancos insolventes. Ele conta com o entusiasmado apoio de intervencionistas como Paul Krugman, e claro, dos próprios banqueiros. Que poupador pode se sentir protegido com um vigia desses? "

4 comentários:

Anônimo disse...

Sempre tive este sentimento de que "eles" fazem o que querem com nossa poupança e que se todos nós irmos resgatar nossas economias ao mesmo tempo esse sistema "bestial" vai ruir todo e gerar o caos e como sempre os fracos e pobres vão pagar a conta.

[]'s

Luiz Fernando.

NC-AQ disse...

Oi Luiz, foi isso que aconteceu neste universo em meados final de 2007, só sentimos isto aqui em final de junho de 2008, somos tupiniquins mesmo (só o fuso mesmo ok?)

OS DERIVATIVOS aportaram por aqui e aos quatro ventos estavam dizendo que o IBOVESPA iria chegar em 84K 120K.

Observe o gráfico diário entre outubro de 2007 a março de 2008, quando você ver, vai observar a acumulação, a distribuição e logo depois a euforia de março a maio de 2008, aquela alta vertginosa.

Sabem o que eles dizem?

Quando tiver caindo, faça aporte de capital pois quando mais cair melhor será para você comprar!
Ops!, alguem esta vendendo para você correto? Quem são?

OS DERIVADOS!

Aí o leigo (e como tem viu) vai lá e coloca mais e mais e quando entra o desespero quer vender o que comprou de qualquer jeito aí, de novo eles veem e compra do leigo de novo. (esta é a histórinha dos burros, leu?)

Ai o leigo vem e diz:

que coisa estranha, eu compro o trem desce, eu vendo o trem sobe!

No mercado acionário, acredite os gráficos não mentem jamais, mesmo sendo uma informação fundamentada, os gráficos não mentem!
Precisamos entender o que os gráficos estão nos dizendo.

Certa vez disse aqui (não sei se você leu).

"O engraxate me falou que a bolsa esta bombando! Nem esperei ele terminar de engraxar o outro pé, fui lá e vendi tudo"

Então veja agora Fernando, consegue ver o mercado se acumulando de novo? É só ver o retrovisor de final de 2007.

O espelho é torto, mais é um espelho blz?

O que isso tem a ver com o BANCO CENTRAL?

Tudo!

Já diz o ditado:

Dê a Cesar o que é de Cesar!

E Jesus pediu a Pedro ir pescar o peixe e pegar a moeda em sua boca para pagar o imposto, pois naquela condição eles não eram filhos e sim estrangeiros naquela terra!
(Matheus 17)

(VÉSICA PIXIS)

Os estados Unidos através da BP (golfo méxico) colocaram "água na nossa chapanhe" em relação ao pré-sal, me lembro como se fosse hoje a então ministra da casa civil, Dilma dizendo que o Brasil tinha descoberto petróleo no quintal do sitio do pica-pau-amarelo, depois, com certeza você viu a briga (até hoje) pela divisão do faturamento.
Georges Soros, vendeu para alguém o que ele não queria mais.

Como você disse, alguem tem que pagar a conta, quem?
Vamos ver o que a China vai fazer. Ela faz parte do BRICs correto?

É isso aí!

BAD NEWS ARE GOOD NEWS!
GOOD NEWS ARE BAD NEWS!

Eu mostro o caminho, a porta é você que tem que abrir blz?

SEJA UM PROSSUMIDOR!

NC-AQ disse...

Em tempo luiz, pior mais muito pior do que isso, mais bote muito mesmo viu, é quando você é confiscado.
Lembra da era Collor?
Qual foi a técnica, fundamento, sei lá o que através da ministra Zélia Cardoso usou para achar que cinquenta cruzados era o valor ideal?

SORTEIO? rsrsrs

Tem uma matéria muito, mais muito interessante na tvcamara que conta a história da econimia Brasileira.

Esta matéria deveria ser estudada nas melhores universidades de economia e contabilidade de nosso Pais.

Aconselho a todos os jovens com idade entre 25 a 30 anos assistirem este video.

É muito louco!

"LABORATÓRIO BRASIL, o País da JABOTICABA".

Poucos tem conhecimento, são apenas 58 minutos de degustação de um periodo de 15 anos.

DICA:
Em tempos de eleições, em terra de cego quem tem um olho é rei!
Já comentado aqui neste espaço.

Basta ver os gráficos nestas épocas.

Dependendo de quem levar, ou você compra ou você vende pois todas ás fichas estão na mesa.

"No mercado de ações não só tem politica de preços"

Grande abraço.

Fractais disse...

E lá vamos nós para mais um rebaixamento na nota, pela standart & poos.
Desse jeito em ano de eleição, não iremos passar de ano!!!