sexta-feira, 30 de março de 2012

ADOREI O TEXTO

Por Waldir Kiel

"Conta a história que um homem selvagem inicialmente encontrando outros teria se amedrontado. Seu terror o levou a ver esses homens maiores e mais fortes do que ele próprio e a dar-lhes o nome de “gigantes”.
Depois de muitas experiências, reconheceria que, não sendo esses pretensos gigantes nem maiores e nem mais fortes do que ele, à sua estatura não convinha à idéia que a princípio ligara a palavra gigante. Inventou então, um outro nome comum a eles e a si próprio, o nome “homem” e deixaria o de “gigante” para o falso objeto que o impressionara durante sua ilusão.
Isso mostra como a palavra figurada nasceu antes da própria quando a paixão fascinou os olhos e a própria ideia oferecida não foi a da verdade.
O homem primitivo também resumia em três coisas o medo do mal: o acaso, o incerto e o súbito. Costumava combater o mal submetendo-o à inteira interpretação moral-religiosa, aplicando o castigo e a penitência.
Com a evolução da humanidade o homem moderno passou a não temer tanto o incerto, o acaso e o súbito. Diminuiu a fé religiosa, passando a acreditar que o fato de aprender a pensar e calcular fosse capaz de prevenir todo o mal. Assim deixou de ter uma justificativa para o mal, o bem é que precisa de justificativa para ser praticado.
O mal na forma primitiva, o súbito, o acaso e o incerto passaram a ser excitante para o progresso e para o desenvolvimento da era moderna.
E onde entra essa análise no atual contexto da crise global?
Na palavra MERCADO.
Por mais incrível que possa parecer o termo “mercado” é hoje tão figurado para a humanidade como era para o homem primitivo.
No contexto geral, mercado hoje em dia passou a ter um significado místico. Ao contrário do homem primitivo, o homem moderno fez o caminho inverso da palavra, o que foi conhecido como o local no qual agentes econômicos deveriam proceder à troca de bens por unidade monetária ou por outros bens com tendência a se equilibrar na lei da oferta e da procura passou a ter um outro sentido, o de que tudo pode em nome de um suposto mercado.
Mercado não pode, como dizem, estressar, porque caso isso aconteça irá gerar o acaso, o incerto e o súbito, que não contribuem para o desenvolvimento econômico da humanidade.
Em uma economia de mercado, o ruim, aquele que quebrou, seria expurgado do cenário dando lugar a uma nova ordem natural.
Como bem sabemos as soluções para o fim da crise global estão caminhando para a manutenção do “status quo” dos poderes financeiro e político global. Daí a resistência de alguns países europeus em injetar dinheiro público para salvar os irresponsáveis privados.
Essa montanha de recursos, trilhões de dólares, que o governo norte-americano irá emprestar para os agentes comprarem os títulos tóxicos, os micos, que estão na carteira dos bancos, tem a pretensão de uma valorização dos títulos no futuro.
Caso a economia volte ao equilíbrio e esses títulos se valorizem, quem ousará novamente a comprá-los?
Estão partindo de um pressuposto errôneo de que os títulos tóxicos tiveram única emissão e que no mercado não existiu a chamada multiplicação, a derivação dos ativos. O final desta historia será desperdício de dinheiro público e adiamento de uma inevitável estatização de grande parte dos bancos norte-americanos e europeus.
Esse não mercado não é privilegio das economias desenvolvidas, aqui no Brasil basta observar a taxa de juros descabida para entender esse jogo de força e poder financeiro que ainda comandam boa parte das diretrizes econômicas da nação.
Contudo, acredito que o Brasil, que vem buscando novos caminhos, conseguirá sobreviver diante dessa tempestade financeira global.
Como disse Sócrates: “Se todos os nossos infortúnios fossem colocados juntos e, posteriormente, repartidos em partes iguais por cada um de nós, ficaríamos muito felizes se pudéssemos ter apenas, de novo, só os nossos”.
Hoje o homem “moderno” em defesa do sentido figurado de MERCADO, já não sabe ao certo o que representa o bem e o que representa o mal.

PALVARA DE ORDEM:

VAMOS SER PROSSUMIDORES!!!



NC - AQ

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